Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

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Botão em Curso Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

Mensagem por José Carlos Pereira em Ter 21 Jun 2016, 18:48

Relembrando a primeira mensagem :

Algumas considerações que fiz num trabalho sobre as qualidades do som. Claro que não são informações minhas, mas encontradas nos bons livros de fisiologia da fala.
José Carlos.


Qualidades do som:
1- Timbre. Mús. Timbre Qualidade distintiva de sons da mesma altura e intensidade, e que resulta da quantidade maior ou menor dos harmônicos coexistentes com o som fundamental. (Aurélio). Portanto, é determinado pela superposição harmônica de sons secundários ao som principal. É o timbre que dá a cor vocal, a capacidade de cada pássaro cantar diferentemente daqueles de outras espécies e até da mesma espécie, o que, nem sempre, é distinguido pelos ouvidos humanos. Quase impossível achar um pássaro que cante exatamente como outro, pois, embora as notas emitidas possam ser as mesmas, com certeza o timbre será diferente. O timbre depende da forma das estruturas palatinas, da amplitude total e forma de abertura do laringe, da posição e forma do bico, etc. 
Ao vibrarem as membranas da siringe produzem os sons das consoantes que se superpõem à vibração geral do ar ao ser expulso e que produz os sons das vogais. A qualidade e a musicalidade do canto dependem do equilíbrio entre os sons das vogais e das consoantes. As cantadas mais duras e pouco melodiosas são devidas às marcações mais intensas das consoantes. Da siringe o som passa pela traquéia e as variações do comprimento desse trajeto determinam as escalas descendentes, ascendentes e as modulações. A cavidade bucofaríngea e as fossas nasais, últimos obstáculos a serem vencidos pelo som, são órgãos ressonantes e ajudam no colorido do mesmo; 2- Intensidade (força vocal). Depende da quantidade de ar que o pássaro é capaz de acumular nos pulmões e sacos aéreos e da potência com que ele é expelido. Assim, quanto maior a capacidade torácica, por conseqüência dos pulmões e sacos aéreos, e maior a potência dos músculos envolvidos, maior será a potência e o volume das cantadas. Não confundir essa potência canora com a maior estridência. Aqui tornam-se mais claras as necessidades de uma ancestralidade genética qualitativa e os treinamentos físicos adequados para que o pássaro possa exercer na plenitude e qualidade do canto e 3- Tom. Como nos humanos, os sons emitidos pelos pássaros podem ser divididos em agudos (tenor), médios (barítono) e graves (baixo). Na criação dos Serinus para canto essas gradações podem ser vistas claramente com os timbrados (agudos), malinois(médios) e rollers (graves). A tonalidade depende fundamentalmente da freqüência de vibrações das membranas da siringe. Podem tornar o som mais agudo (alto) o encurtamento da traquéia, os anéis cartilaginosos traqueais mais rígidos, o encurtamento e a maior rigidez do músculo e das cordas broncotraqueais provocando a maior tensão das membranas timpânicas e impedindo o alongamento traqueal, a maior tensão das membranas da siringe, o laringe totalmente aberto, os sacos aéreos de menores capacidades, o bico aberto, a maior pressão exercida pelos órgãos insufladores do ar, a diminuição do diâmetro dos brônquios e a ação dos  hormônios aceleradores do canto. O ritmo e a velocidade do canto podem acelerar devido a determinados estímulos nervosos e hormonais dependentes da raça, do temperamento e do estágio em que o pássaro se encontra em relação ao período reprodutivo. Como a luminosidade é o maior estímulo para a produção dos hormônios aceleradores do canto, os pássaros mantidos em boa luminosidade apresentarão cantadas mais altas ou agudas e, pelo contrário, os mantidos na penumbra tenderão a cantar mais grave. Pode ser visto com os filhotes que se deliciam nos chilreios agudos quando colocados ao sol da manhã. Os tons mais baixos são conseguidos quando o músculo e as cordas broncotraqueais são flexíveis e longas, a traquéia é longa e as cartilagens não são rígidas, os lábios da siringe estão semi-abertos, sacos aéreos amplos permitindo a vibração do ar no seu interior, o esôfago está dilatado pela pressão tornando-se uma caixa auxiliar de ressonância, o bico cerrado ou semi-aberto, membranas siringeas grandes e pouco tensas e brônquios com diâmetros aumentados.
Respeitando-se as características diferenciais regionais, os sons de grande musicalidade emitidos pelos pássaros possuem intensidade, timbre e tonalidade característicos para cada espécie e, dentro das espécies, para cada pássaro individualmente.  Sempre lembrando a importância da condução dos sons pelo ar e a interferência do meio ambiente na sua transmissão podendo provocar reflexões, reverberações ou refrações.
Portanto, os pássaros podem emitir os seus cantos  em tonalidades graves ou agudas e em intensidades mais altas ou baixas.  O que adjetiva a qualidade de canto realmente é o timbre, o colorido do canto. É o diferencial dos grandes cantores. Dois pássaros podem emitir as mesmas notas no canto e nas mesmas tonalidades e alturas, mas um se diferenciará do outro pela maneira como são emitidas, como, por exemplo, flauteadas, aquosas, aveludadas, metálicas, doces, etc.
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Botão em Curso Re: Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

Mensagem por Kanarie em Qui 31 Maio 2018, 21:12

@DAVI COUTINHO escreveu:
Todavia uma coisa que não podemos deixar de mencionar é que os timbrados só conservam o canto bom, e dentro do padrão, se forem criados separados de outros canários, se deixar junto com outros perdem a qualidade do canto. Quem cria original ou contínuo não pode criar junto com os floreados senão estraga o canto floreado. Mas o Maurício tem mais experiência do que nós no assunto e pode nos esclarecer melhor. Estou me expressando pelo que vi e participei no campeonato brasileiro do ano passado.
Boa noite pessoal

Agradeço pela atenção Davi, pois a informação acima é um detalhe importantissimo para quem pretende iniciar com a criação. O que ficou entendido, é que os Timbrados não fixam o canto e sempre serão sucetiveis a alterações, se escutarem cantos distintos. Ou seja, não poderei criar SRD com Timbrados por exemplo correto ? E quanto ao canto de pássaros ambientais, como isto se comporta ?
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Botão em Curso Vamos falar a respeito dos Timbrados Espanhois

Mensagem por DAVI COUTINHO em Sex 01 Jun 2018, 02:51

Quando em falo criar separado, quero dizer que deve escolher uma linha de canto timbrado (originais ou floreados), e criar só aquela, e não criar misturado com outros pássaros nem com outras raças de canário. Pássaros da natureza não atrapalham, mas não se deve deixar pássaros silvestres em contato direto com criação de canários domésticos devido a possibilidade de transmissão de pragas (piolhos) e doenças, para as quais os canários não tem imunidade natural.

Aqui em casa eu sempre criei harzer roller, e quando comecei a criar os timbrados, no mesmo pavimento que os harzer, não deu certo. Aliás nenhum canário de canto clássico deve ser criado misturado com outros pássaros ou canários de outra raça, porque influencia na qualidade do canto. O canto mais estável de todos é o dos harzer roller, mesmo assim se criar misturado atrapalha a execução ideal do canto clássico.


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Botão em Curso Re: Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

Mensagem por MauricioJr em Seg 04 Jun 2018, 13:59

@DAVI COUTINHO escreveu:
... Aliás nenhum canário de canto clássico deve ser criado misturado com outros pássaros ou canários de outra raça, porque influencia na qualidade do canto. O canto mais estável de todos é o dos harzer roller, mesmo assim se criar misturado atrapalha a execução ideal do canto clássico.

Sr. Davi, vale o mesmo para o Timbrado Espanhol.

Ola pessoal do UDC,

Cada um tem a liberdade de criar o que quiser da maneira que quiser, mas quando estamos falando em criar canarios de canto para competicao, melhoramento genetico, formacao e desenvolvimento de estirpes de canto; o espaco para tal tem que ser exclusivo.   

...
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Botão em Curso Re: Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

Mensagem por José Carlos Pereira em Qua 13 Jun 2018, 18:29

Criar animais de qualquer espécie com qualidade técnica genética e ambiental não é fácil. Por isso, num país continental como o Brasil a criação de aves (deixar de lado criações economicamente estabelecidas como a de frangos para corte ou ovos)  é insignificante. 


A FOB tem, segundo sua própria informação, 5000 sócios distribuídos pelos diversos clubes a ela filiados. Portanto, 0,023% da população brasileira. Levando em conta que a maioria reproduz sem ser associada à FOB, não chegaríamos a 1 % da população. Levando em conta somente os canários Serinus, seriam menos de 0,023%.


 Como os canários reproduzidos para canto são a grande minoria no universo dos Serinus, desceríamos da casa centesimal para a milesimal.


Portanto, na realidade, embora sei que levarei pau de todos os lados, nem sei se poderíamos falar numa criação de canários. Por que a criação dos Serinus para canto pode ser considerada a mais difícil de todas as modalidades?
Por diversos motivos:


1- Canto é comportamento, portanto, difícil de ser avaliado porque chega a ser subjetivo em muitos aspectos;


2- Geneticamente é poligênico (sofre ação de vários genes) e multifatorial (sofre ação de muitos fatores ambientais);


3- Exige um bom ouvido e conhecimento do criador;


4- Exige tempo para se conseguir resultados por conta dos aspectos citados, e a maioria das pessoas quer resultados para ontem;


5- Tendência de nós brasileiros valorizarmos as exposições como um fim e não um meio. Muita gente leva a pássaros às exposições para vender, ficar conhecido e colocar troféus nas prateleiras especiais dos criadouros. 


E a exposição deveria ser a oportunidade meio para se ter noção de como está evoluindo a criação como um todos e traçar planejamento para corrigir os erros e somar os acertos. Só assim a criação seria cada vez mais qualitativa.


 As expos de animais mais selecionados julgam os padreadores levando em conta de maneira especial as suas progênies;


6- Comportamento muito influenciado pelos hormônios, o que, já aumenta o tamanho do pepino porque os hormônios agem em feedback, uns influenciando os outros;


7- Por último, e não esgotando as causas, a exigência de espaço físico. E isso muito poucos criadores têm. Criação que exige isolamentos, separações e observações muito particulares em todos os aspectos. Além do isolamento acústico dentro do criadouro, tem ainda que ter isolamento acústico em relação às aves soltas do entorno.



Por tudo isso, a tarefa de estabelecer uma criação de uma espécie/raça nova para nós como os timbrados espanhóis é árdua e tem que ser focada. Por isso sempre serei contra ficar criando novas modalidades de torneios de canto em vez de focar nas três qualidade de canto mais apreciadas. É desviar o foco de uma coisa que é ainda incipiente e inicial.


Poderia ficar aqui escrevendo laudas e laudas sobre o assunto, mas vou parar por aqui. Sem antes afirmar que viso sempre os fatos e não as pessoas. Aprendi isso debaixo de algumas varadas de marmelo (ardem pra caramba). Infelizmente, nós brasileiros temos também o hábito de levarmos tudo para o lado pessoal.
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Botão em Curso Re: Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

Mensagem por José Carlos Pereira em Qui 14 Jun 2018, 08:20

Desculpem alguns erros, inclusive de concordância.
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Mensagem por Lino 2 em Sex 15 Jun 2018, 15:01

Boa tarde Sr. José Carlos,
A preocupação que o Sr. tem mostrado com a raça de timbrado espanhol é muito pertinente e valiosa, não tenha dúvida. No entanto, na nova modalidae criada para canto denominada de canto livre, que é na verdade uma disputa de fibra para Serinus canaria, não vejo com a mesma preocupação e vou tentar explicar o motivo.
Por incrível que pareça, o canário sendo uma ave canora tem seu principal atributo na canaricultura brasileira e mundial relegado em detrimento de cor e porte, digo isso com todo o respeito ao esforço e empenho dos canaricultores em selecionar e aprimorar o porte e a cor, mas sinceramente não compreendo o que sucedeu nos primórdios da canaricultura para inverter esses atributos, pois no Brasil, 99,99% dos canaricultores optam pela cor e porte. E aqueles que optaram pelo canto, sabem que é muito dificil selecionar canários que possam vir a apresentar todos aqueles ou pelo menos grande parte dos quesitos positivos e eliminar as notas negativas que são avaliadas em um campeonato de canto clássico.
Sabemos que em um plantel de canários de canto, nascerão canários muito bons e que deverão sim ser alvo de seleção para canto clássico, mas também nascerão canários que não apresentam esse potencial, mas as vezes pode ter uma disposição tamanha para o canto (fibra) que poderia perfeitamente ser utilizado em outra modalidade, ou seja, ser utilizado para torneios de canto livre, e isso eu não vejo como o túmulo para canários timbrado espanhol. Pelo contrário, se o timbrado espanhol naturalmente tem essa disposição para canto, e se ele vier a predominar nesses torneios de canto livre, pode ser que futuramente ele venha a disseminar em novos criadores pelo Brasil a fora e que esses novos criadores venham a se interessar e selecionar canários Timbrado espanhol para o canto clássico, e quem sabe ao invés de existir apenas campeonatos regionais de cor e porte, venha a existir também o de canto, mesmo que na modalidade de canto livre, e se assim o for, quem sabe o canto dos canários venha a ter o valor e a posição de destaque que ele merece.
Um abraço

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Botão em Curso Re: Vamos falar à respeito dos Timbrados Espanhóis.

Mensagem por Lino 2 em Sex 15 Jun 2018, 17:17

Resumindo, que mal há se utilizar de canários timbrado espanhol que não tem um nível esperado para um campeonato de canto clássico em torneios de canto livre? Se em um plantel voltado para canários de canto clássico nascem filhotes que destoam de um nível esperado vamos fazer o quê? Dar estes canários para o gato comer, tentar empurrar para alguém ou se for o caso e se a disposição para cantar permitir, deixar que participe de torneios de canto livre?
Muitos milhões de brasileiros são pessoas muito humildes e não tem condições de criar timbrados para seleção de canto clássico, mas adoram o canto de seus canários SRD e os levam ou levariam para torneios de canto livre, principalmente se tivessem em suas mãos um timbrado espanhol. Vale lembrar que os timbrados são classificados em classes A,B,C e ainda os que não atingem sequer o nível C.
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