HIBRIDAR, MAS COM RESPONSABILIDADE!

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Botão em Curso HIBRIDAR, MAS COM RESPONSABILIDADE!

Mensagem por MARTÍN em Ter 24 Nov 2015, 09:28

Texto escrito por @Fábio Chanes, recuperado do extinto fórum Nação dos Canários.


Olá Universo,

Venho notando diversos tópicos com questionamentos a respeito de hibridação, porém as questões deste tópicos exigem de nós criadores mais experientes e conhecedores da legislação dar maiores esclarecimentos!

Primeiro temos que lembrar, a respeito da Instrução Normativa do Ibama de nº15 de 2011, art 35º aonde se "proíbe o cruzamento para fins de híbridos interespecíficos", esta Instrução Normativa é referente a pássaros silvestres nativos, por isto dois pintassilgos com suas subespécies não sejam aconselhados se hibridar com eles que são os Carduelis magellanicus icterius, Carduelis magellanicus alleni, Carduelis magellanicus longirostris e Carduelis yarrelli, por mais explicações técnicas e se levar a frente com biólogos e médicos veterinários especializados em genética, o termo utilizado é dúbio, mas eu particularmente hoje desaconselho a utilização destes para serem utilizados na hibridação com canários e outros pintassilgos!

Em várias conversas que tenho com o César Wenceslau, falamos muito sobre saber hibridar com responsabilidade, mas o que seria isto?

Primeira coisa que se tem que ter na cabeça é o motivo pelo qual deseja fazer a hibridação, curiosidade, fazer por apenas fazer, buscar melhoramento genético, buscar novas formas ou cores!

Por isto que para se hibridar hoje tem que se ter amplo conhecimento das espécies que serão utilizadas na hibridação e o que eles podem trazer de novo, quando falo amplo conhecimento tem que conhecer as famílias aos quais os pássaros que desejam hibridar pertencem e qual a similaridade que estes possuem, há espécies que não tem como se hibridarem!

Por muitos anos a hibridação foi algo feito pela curiosidade do que poderá sair, também pelo poder do homem de manipular a natureza, estes dois termos são descritos no livro dos Híbridos de Mássimo Natale, hibridador e estudioso italiano!

Mas chegamos a um ponto na ornitologia que muitas hibridações já foram feitas e nada de novo trouxeram, o caso dos magellanicus, por exemplo, o que eles conseguiram trazer de novo para os canários ou para os pintassilgos?? Só há um case de sucesso, o do criador espanhol José Abellan que utilizou híbridos de Carduelis magellanicus duplo diluídos e com seus F1s mais tarde conseguiu fixar e introduzir a mutação jaspe nos canários!!

Porém o uso de machos de canários de cor azul dominante com fêmeas de qualquer espécie de Carduelis spp, podem introduzir a mutação azul nos machos destes, visto que a mutação azul é sexo ligada e somente fêmeas destes apresentam tal coloração, já um criador da Espanha vem trabalhando com tarins desta forma e um italiano com magellanicus desta forma!!

Hoje se pensa na hora que a melhor canária para se hibridar são as raça espanhola, ledo engano! Elas são apenas interessantes para se terem híbridos pequenos mais perto do tamanho dos pintassilgos. Mas com as mais de 300 cores de canários que hoje se tem, poucos estudam uma forma de utilizar o material genético de pintassilgos e usar as cores destas para se ter híbridos que possam mais tarde introduzir gens de canários nos pintassilgos e assim termos novas mutações!

Hibridar hoje tem que se ter um bom conhecimento e responsabilidade, para não errar ou fazer híbridos comuns, o velho chavão das canárias de cores amarelas limas, brancas ou cinzas que são ditas como as melhores cores para se tirar híbridos já caiu por terra há muito tempo, isto é coisa de criadores que não se reciclam!!

Por isto amigos do Universo, aqui quero deixar claro a necessidade de procurar antes de hibridar, saber o que deseja fazer, documentar o que esta fazendo, não utilizar pássaros nativos silvestres para não terem problemas com o Ibama, por mais que não concorde com tal imposição sem estudo técnico e mais por ideologia de alguns do Ibama, como criador e que gosto das coisas de forma correta e legalizada, eu sempre desaconselharei a utilização de silvestres! E sempre deixarei nas perguntas a respeito de quem vem em busca de respostas para as hibridações que desejam fazer, o por quê querer fazê-la e para quê!

Hoje não há mais espaço para aventuras sem futuro na ornitologia, ou se aprende a fazer certas técnicas de forma correta ou continuará a ter a mesmice de sempre, F1s cinzas, verdes, alguns pintados e no caso dos tarins sempre os mesmos cobres!!!

Olhem sempre para a gama de cores que temos de canárias para escolher, mas sempre lembrando de um dos pontos mais importantes, qualquer fêmea de canário que for utilizada tem que ser dominante ou intensa, jamais nevados ou recessivos!!!

Abraços


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Botão em Curso Re: HIBRIDAR, MAS COM RESPONSABILIDADE!

Mensagem por CRIADOURO GOUVEIA em Ter 24 Nov 2015, 12:44

AO LER ESSA MATÉRIA PAIROU UMA DÚVIDA ....

PORQUE NÃO SE PODE USAR CANÁRIAS RECESSIVAS E OU NEVADAS ?

NÃO TENHO MUITA EXPERIENCIA EM HIBRIDAÇÃO , MAS CONFESSO TER FEITO ALGUMAS COM CUCULLATA E TAMBÉM COM O MAGELLANICO  USANDO TANTOS INTENSOS E NEVADOS , RECESSIVOS E DOMINANTES . NO CASO SE QUEREMOS TRAZER ALGUMA CARACTERÍSTICA DO CARDUELIS  PARA O CANÁRIO NÃO É INTERESSANTE UM CANARIO COM FATOR RECESSIVO , OUVI DIZER QUE A PROLE DE UMA FEMEA NEVADA TRARÁ MAIS F1s FÉRTEIS , ISSO É MITO OU REALIDADE ?

GOSTARIA QUE OS AMIGOS QUE ENTENDEM DO ASSUNTO PUDESSE OPINAR A RESPEITO .....


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Botão em Curso Hibridar, mas com responsabilidade.

Mensagem por DAVI COUTINHO em Ter 24 Nov 2015, 22:31

Boa noite amigos do Universo dos Canários!

Olhem sempre para a gama de cores que temos de canárias para escolher, mas sempre lembrando de um dos pontos mais importantes, qualquer fêmea de canário que for utilizada tem que ser dominante ou intensa, jamais nevados ou recessivos!!!

Com todo o respeito pela sapiência do nosso articulista, gostaria de fazer algumas considerações a partir da observação do Sandro Gouveia... No serinus canarius (Canário ancestral) não há o fator intenso, como é de amplo conhecimento, ele surgiu de uma mutação genética. Mas se observarmos o comportamento desse gene na plumagem dos canários não veremos uma dominância absoluta e auto sustentável, mas uma interdependência funcional com o nevado ancestral; visto que acasalamentos sucessivos entre intensos apresentam problemas de continuidade (exemplares raquíticos e com plumagem escassa), enquanto os nevados depois de acasalamentos sucessivos tendem a retornar ao nevadismo ancestral. Nos canários de canto não foi fixada a mutação intenso e os acasalamentos entre nevados segue adiante há anos, sem nenhum problema para a qualidade da plumagem.


Na hibridação que objetivava a transferência do gene condicionante do fator vermelho do Tarin para o Canário, foram utilizadas fêmeas harzer roller, e foi bem sucedida, transferindo tanto o fator vermelho quanto o mosáico do Tarin para o Canário. Isto não aconteceu porque o harzer roller mostrou-se recessivo ou dominante em relação ao Tarin, mas porque na hibridação, independente de dominância, há uma troca genética entre espécies da mesma família(neste caso fringilídeos). 

Quanto a infertilidade dos produtos híbridos, trata-se de um artifício da natureza para preservar a pureza das espécies, que só permite algum sucesso da maioria dos híbridos em ambiente artificial. Portanto independente dos canários usados na hibridação serem recessivos ou dominantes haverá troca genética da mesma forma, porque a ruptura genética provocada pela hibridação revoga as leis de dominância estabelecidas numa determinada espécie. Salvo engano da minha modesta compreensão, é o que consigo extrair de vários textos sobre hibridação.
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Botão em Curso Re: HIBRIDAR, MAS COM RESPONSABILIDADE!

Mensagem por Fábio Chanes em Qua 25 Nov 2015, 11:16

Olá Universo,


    O fato de sempre utilizar canárias dominantes e intensas é justamente para trazer do canário a cor, em experiências de de hibridação de pintassilgos portugueses x canarias nos cruzamentos com intensas e dominantes os híbridos apresentam justamente o que se tem de melhor da cor do canário hibridado e mantém muito do pintassilgo português, no caso com recessivas e nevadas quase nem a máscara apresenta os híbridos.

    O conselho do uso de intensas e dominantes parte sempre dos grandes hibridadores europeus no caso Paco Pi do Carduelisur, que em e-mail comigo me aconselhou cores de canária para cruzamento com diversas espécies de carduelis e no livro "Los Híbridos" de Massimo Natale, aonde podemos  observar por fotos os híbridos e o cruzamento que os trouxe sempre com canárias intensas.

    Mas, hoje os Carduelis pouco tem a trazer de genética para os canários, já foi amplamente explorado estes cruzamentos, o que se tem é o contrário hoje trazer dos canários mutações para fixar nos Carduelis, principalmente nos tarins, aonde já sabemos que a mutação que se tem na Itália o tarin rubino veio de cruzamentos com canários.

    Porém a família dos Fringilidae, é enorme e muita coisa pode ser trazida destes.

    No caso dos Serinus, os cruzamentos com quaisquer espécie é quase certo a infertilidade, explicado por Massimo Natale no livro acima citado, é pelo fato de viverem em sua maioria no continente africano e não terem barreiras naturais que tenham mantido as espécies em isolamento, fato que ocorre na América do Sul, aonde cordilheiras manteram por anos e anos várias espécies separadas, por isto que várias espécies de Carduelis sulamericanos apresentam uma certa fertilidade em seus híbridos com os Serinus.


    Mas reafirmo, a hibridação hoje tem que ser técnica e objetiva buscar aprimoramento e novidades e jamais aventuras!

Abraços
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Mensagem por DAVI COUTINHO em Qua 25 Nov 2015, 17:23

Boa tarde amigos do Universo dos Canários!

Caro Fábio! É bom vê-lo postando novamente no fórum, sempre artigos de bom nível técnico e esclarecedores. Fontes italianas são ótimos referencias para estudos ornitológicos, pois os europeus sempre estiveram à frente quando o assunto é criação de passeriformes.
Estamos de pleno acordo que a hibridação deve ser técnica, o criador deve conhecer as espécies, e saber onde quer chegar, buscar o aprimoramento das espécies, como foi o caso da transferência do fator vermelho e mosáico ao canário com a contribuição do Tarin.

Creio que a maior dificuldade em trabalhar hibridações técnicas e objetivas é o tempo que se leva para obter e consolidar resultados, a persistência é necessária e decisiva durante toda a trajetória do trabalho. Só para ficar no que considero o mais bem sucedido processo de hibridação entre fringilídeos (Tarin e Canária), resultando no fator vermelho e mosáico transferido aos canários, e na beleza dos exemplares produzidos a partir destes dois fatores herdados pelo canário. O imediatismo por resultados é o maior empecilho para se levar adiante um processo técnico e objetivo de hibridação para transferência genética.

Todavia é bom lembrar que as primeiras tentativas foram feitas em 1895 por criadores alemães, seguiu-se em 1914 por um criador chamado Bruno Materns da Prussia oriental. Depois da primeira guerra mundial outro criador alemão G. Dhams da região de kroinsgsberg também trabalhava a mesma hibridação; mas só depois da teoria do Dr. H. Dunker que descobriu a necessidade dos carotenóides oxigenados para que o vermelho do Tarin pudesse exteriorizar com força e brilho na plumagem dos produtos híbridos é que os resultados apareceram e foram consolidados, depois de quase meio século de muito estudo e trabalho.
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