Carduelis Yarrellii

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Botão em Curso Carduelis Yarrellii

Mensagem por UNIVERSO DOS CANÁRIOS em Seg 22 Jul 2013, 18:00

Este singelo passarinho é conhecido por vários nomes: Coroinha, Baianinho, Pintassilgo da Bahia, Yarrell’s Siskin, Yellow-Faced Siskin, entre outros. É um pássaro do gênero Carduelis e espécie yarrellii da família Fringillidae e sub-família Carduelinae. É um cantor incansável, seu canto é repleto de variações melódicas, em andamento rápido e pode durar até cinco minutos sem pausas. Mede, dependendo da área de ocorrência, entre 10 e 11 centímetros. Esta espécie de Carduelis ocorre no Nordeste do Brasil, do Rio Grande do Norte ao norte e nordeste da Bahia e também, na Venezuela. Os machos têm o abdômem, o peito, a garganta, os lados da cabeça, a nuca e o baixo dorso de cor amarelo-vivo; o alto dorso é amarelo-esverdeado; o bico é cinzento escuro, assim como as pernas; o alto da cabeça (coroa), as asas e a cauda são negras, estes últimos com marcações amarelas e cinzentas que são características de identificação de espécies americanas do gênero Carduelis. As fêmeas, semelhantes aos machos, não possuem a coroa negra e as cores são esmaecidas. Os filhotes, antes da plumagem adulta, são semelhantes às fêmeas, porém, o bico é negro. Existe ainda, uma variação que ocorre apenas no Brasil que é considerada por alguns como uma raça à parte, são os conhecidos "Zorros", devido ao negro da cabeça se estender muito abaixo do olhos. Outros estudiosos e interessados sugerem que esta variação seja produto de uma mestiçagem entre Carduelis yarrellii e os Carduelis magellanica que se encontram e cruzam no estado da Bahia. Por enquanto, não há nada comprovado. Habitam geralmente campos e pastagens, no Brasil vivem também na Caatinga. 

Este passarinho deveria ser considerado, por nós brasileiros, uma jóia rara. Infelizmente, não é o que vem acontecendo. É comum aqui no sudeste do Brasil assistirmos na TV e internet, fiscais do IBAMA apreendendo carregamentos ilegais de pássaros de origem nordestina, tráfico, no qual se vê gaiolões com centenas de Pintassilgos do Nordeste em situação desesperadora. Mais triste ainda é saber que cerca de 90% destes pássaros apreendidos morrem, pois o Pintassilgo do Nordeste é um pássaro extremamente frágil quando pêgo na natureza e quando sob stress, tende a elevar a taxa de Coccidiose, uma bactéria que vive no organismo do pássaro, levando-o a morte em poucos dias quando não são tratados corretamente e em tempo. 

Que a experiência venezuelana venha a abrir nossos olhos, na Venezuela havia duas populações distintas e que viviam separadas por cerca de 400 quilômetros. Segundo o Dr. Carlos Ortega, principal defensor da espécie na Venezuela, a população que vivia nos estados de Carabobo, Cojedes e Portuguesa teve como possível causa de extinção o controle do transmissor do mal de chagas, o Barbeiro, as autoridades venezuelanas usaram pesticidas nos campos. Também as queimadas, o desmatamento e a caça ilegal colaboraram tragicamente para a extinção de, talvez uma raça diferente, pois os Carduelis yarrellii que lá viviam eram os menores representantes da espécie. Hoje, os que vivem nos estados de Anzoátegui e Monáguas são extremamente raros. Como disse nosso amigo venezuelano, em seu artigo "Algo mas sobre el Carduelis yarrellii", se as autoridades não tomarem controle da situação, o destino destes passarinhos provavelmente é a extinção. 

Atualmente o Pintassilgo do Nordeste está na lista do CITES, no apêndice II, esta lista inclui espécies que não se encontram necessariamente em perigo de extinção, mas cujo comércio deve ser controlado a fim de evitar esta possibilidade. O Brasil, com suas leis governamentais, através do IBAMA vem coibindo o tráfico interno multando os infratores, tantos os traficantes como os receptores. A questão, infelizmente, é mais ampla, os caçadores ilegais que vendem os pássaros em feiras ou em beiras de estradas no nordeste do Brasil geralmente são pessoas que não tem outro meio de sobrevivência e são incentivados pelos atravessadores que pagam quantias insignificantes por estes pássaros. 

Para adquirir um Pintassilgo do Nordeste, só mesmo se você for registrado no IBAMA ou adquirir os pássaros com nota fiscal de criadouros comerciais legalizados. O pássaro tem de estar anilhado, anilha fechada, diâmetro de 2,4 milímetros e não violada, ou seja, não amassada, não cortada ou alargada. 

Espero que em breve tenhamos muitos criadores de Pintassilgo do Nordeste, pois atualmente dá para contar nos dedos os que criam este magnífico passarinho com afinco. Espero também que, nós brasileiros, não venhamos dar a este passarinho o mesmo destino da Ararinha Azul – Cyanopsitta spixii. Mas como diz o ditado: "A esperança é a última que morre". 

Um trabalho muito sério tem sido feito por pessoas extremamente competentes na reprodução em cativeiro do Curió (Oryzoborus angolensis), do Bicudo (O. crassirostris, O. magnirostris e O. gigantirostris) e outros pássaros da família Emberezidae. Devido ao canto e aos campeonatos de canto por todo o Brasil, existe grande procura por estes pássaros nascidos em cativeiro. Baseado nesta observação surgiu-me a idéia de incentivar as Confederações Ornitológicas à abrir espaço para campeonatos de canto de Pintassilgos, assim como a SERCA de São Paulo já tem feito. Quem sabe assim, incentivar ainda mais a reprodução em cativeiro destes Pintassilgos e tirá-los do status a que por enquanto estão submetidos. 

Estes passarinhos criam com facilidade em cativeiro, são mansos e longevos. É importante preservar a espécie na forma mais pura possível, para futuramente, se for o caso, serem reintroduzidos em seu habitat natural. A postura é de três a cinco ovos, se for natural de uma a duas posturas por temporada, a incubação é de aproximadamente doze dias e com trinta e cinco dias os filhotes já podem ser separados dos pais. Podem ser criados em gaiolas de criação de Curiós ou de Bicudos. Quanto a alimentação, pense num Canário do Reino do gênero Serinus, estes são os parentes mais próximos dos Pintassilgos. É tão fácil alimentar os Pintassilgos quanto um Canário. A alimentação consiste principalmente de alpiste, folhas verdes, jiló e ovo. É imprescindível a higiêne e a água sempre limpa. 

Pelo mundo afora existem muitos admiradores de Pintassilgos do Nordeste, os italianos são os grandes criadores, eu não ficaria admirado se na Europa a demanda de filhotes nascidos em cativeiro superem a nossa em pelo menos dez vezes mais. Dicas de criação é o que não faltam, vide as revistas especializadas, os sites e grupos de discussão nacionais, espanhóis, franceses e até australianos na internet. Tem também o "Atualidades Ornitológicas" que é um jornal informativo que sempre traz alguma matéria do "Papa na criação de Pintassilgos", o mestre Giorgio de Baseggio. 

Portanto, estamos com a faca e o queijo na mão, é colocar os passarinhos para criar e respeitar a natureza.

Este singelo passarinho é conhecido por vários nomes: Coroinha, Baianinho, Pintassilgo da Bahia, Yarrell’s Siskin, Yellow-Faced Siskin, entre outros. É um pássaro do gênero Carduelis e espécie yarrellii da família Fringillidae e sub-família Carduelinae. É um cantor incansável, seu canto é repleto de variações melódicas, em andamento rápido e pode durar até cinco minutos sem pausas. Mede, dependendo da área de ocorrência, entre 10 e 11 centímetros. Esta espécie de Carduelis ocorre no Nordeste do Brasil, do Rio Grande do Norte ao norte e nordeste da Bahia e também, na Venezuela. Os machos têm o abdômem, o peito, a garganta, os lados da cabeça, a nuca e o baixo dorso de cor amarelo-vivo; o alto dorso é amarelo-esverdeado; o bico é cinzento escuro, assim como as pernas; o alto da cabeça (coroa), as asas e a cauda são negras, estes últimos com marcações amarelas e cinzentas que são características de identificação de espécies americanas do gênero Carduelis. As fêmeas, semelhantes aos machos, não possuem a coroa negra e as cores são esmaecidas. Os filhotes, antes da plumagem adulta, são semelhantes às fêmeas, porém, o bico é negro. Existe ainda, uma variação que ocorre apenas no Brasil que é considerada por alguns como uma raça à parte, são os conhecidos "Zorros", devido ao negro da cabeça se estender muito abaixo do olhos. Outros estudiosos e interessados sugerem que esta variação seja produto de uma mestiçagem entre Carduelis yarrellii e os Carduelis magellanica que se encontram e cruzam no estado da Bahia. Por enquanto, não há nada comprovado. Habitam geralmente campos e pastagens, no Brasil vivem também na Caatinga. 

Este passarinho deveria ser considerado, por nós brasileiros, uma jóia rara. Infelizmente, não é o que vem acontecendo. É comum aqui no sudeste do Brasil assistirmos na TV e internet, fiscais do IBAMA apreendendo carregamentos ilegais de pássaros de origem nordestina, tráfico, no qual se vê gaiolões com centenas de Pintassilgos do Nordeste em situação desesperadora. Mais triste ainda é saber que cerca de 90% destes pássaros apreendidos morrem, pois o Pintassilgo do Nordeste é um pássaro extremamente frágil quando pêgo na natureza e quando sob stress, tende a elevar a taxa de Coccidiose, uma bactéria que vive no organismo do pássaro, levando-o a morte em poucos dias quando não são tratados corretamente e em tempo. 

Que a experiência venezuelana venha a abrir nossos olhos, na Venezuela havia duas populações distintas e que viviam separadas por cerca de 400 quilômetros. Segundo o Dr. Carlos Ortega, principal defensor da espécie na Venezuela, a população que vivia nos estados de Carabobo, Cojedes e Portuguesa teve como possível causa de extinção o controle do transmissor do mal de chagas, o Barbeiro, as autoridades venezuelanas usaram pesticidas nos campos. Também as queimadas, o desmatamento e a caça ilegal colaboraram tragicamente para a extinção de, talvez uma raça diferente, pois os Carduelis yarrellii que lá viviam eram os menores representantes da espécie. Hoje, os que vivem nos estados de Anzoátegui e Monáguas são extremamente raros. Como disse nosso amigo venezuelano, em seu artigo "Algo mas sobre el Carduelis yarrellii", se as autoridades não tomarem controle da situação, o destino destes passarinhos provavelmente é a extinção. 

Atualmente o Pintassilgo do Nordeste está na lista do CITES, no apêndice II, esta lista inclui espécies que não se encontram necessariamente em perigo de extinção, mas cujo comércio deve ser controlado a fim de evitar esta possibilidade. O Brasil, com suas leis governamentais, através do IBAMA vem coibindo o tráfico interno multando os infratores, tantos os traficantes como os receptores. A questão, infelizmente, é mais ampla, os caçadores ilegais que vendem os pássaros em feiras ou em beiras de estradas no nordeste do Brasil geralmente são pessoas que não tem outro meio de sobrevivência e são incentivados pelos atravessadores que pagam quantias insignificantes por estes pássaros. 

Para adquirir um Pintassilgo do Nordeste, só mesmo se você for registrado no IBAMA ou adquirir os pássaros com nota fiscal de criadouros comerciais legalizados. O pássaro tem de estar anilhado, anilha fechada, diâmetro de 2,4 milímetros e não violada, ou seja, não amassada, não cortada ou alargada. 

Espero que em breve tenhamos muitos criadores de Pintassilgo do Nordeste, pois atualmente dá para contar nos dedos os que criam este magnífico passarinho com afinco. Espero também que, nós brasileiros, não venhamos dar a este passarinho o mesmo destino da Ararinha Azul – Cyanopsitta spixii. Mas como diz o ditado: "A esperança é a última que morre". 

Um trabalho muito sério tem sido feito por pessoas extremamente competentes na reprodução em cativeiro do Curió (Oryzoborus angolensis), do Bicudo (O. crassirostris, O. magnirostris e O. gigantirostris) e outros pássaros da família Emberezidae. Devido ao canto e aos campeonatos de canto por todo o Brasil, existe grande procura por estes pássaros nascidos em cativeiro. Baseado nesta observação surgiu-me a idéia de incentivar as Confederações Ornitológicas à abrir espaço para campeonatos de canto de Pintassilgos, assim como a SERCA de São Paulo já tem feito. Quem sabe assim, incentivar ainda mais a reprodução em cativeiro destes Pintassilgos e tirá-los do status a que por enquanto estão submetidos. 

Estes passarinhos criam com facilidade em cativeiro, são mansos e longevos. É importante preservar a espécie na forma mais pura possível, para futuramente, se for o caso, serem reintroduzidos em seu habitat natural. A postura é de três a cinco ovos, se for natural de uma a duas posturas por temporada, a incubação é de aproximadamente doze dias e com trinta e cinco dias os filhotes já podem ser separados dos pais. Podem ser criados em gaiolas de criação de Curiós ou de Bicudos. Quanto a alimentação, pense num Canário do Reino do gênero Serinus, estes são os parentes mais próximos dos Pintassilgos. É tão fácil alimentar os Pintassilgos quanto um Canário. A alimentação consiste principalmente de alpiste, folhas verdes, jiló e ovo. É imprescindível a higiêne e a água sempre limpa. 

Pelo mundo afora existem muitos admiradores de Pintassilgos do Nordeste, os italianos são os grandes criadores, eu não ficaria admirado se na Europa a demanda de filhotes nascidos em cativeiro superem a nossa em pelo menos dez vezes mais. Dicas de criação é o que não faltam, vide as revistas especializadas, os sites e grupos de discussão nacionais, espanhóis, franceses e até australianos na internet. Tem também o "Atualidades Ornitológicas" que é um jornal informativo que sempre traz alguma matéria do "Papa na criação de Pintassilgos", o mestre Giorgio de Baseggio. 

Portanto, estamos com a faca e o queijo na mão, é colocar os passarinhos para criar e respeitar a natureza.


Baianinhos:
Fêmea mutante, macho normal e fêmea mutante.



Última edição por FUNDADOR em Ter 23 Jul 2013, 08:44, editado 2 vez(es)
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