PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA CRIAÇÃO DE CANÁRIOS.

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Mensagem por MARTÍN em Seg 13 Out 2014, 21:05

PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA CRIAÇÃO DE CANÁRIOS.


Vários e bons artigos sobre os princípios de uma criação de canários já foram publicados. Todos eles muito objetivos e capazes de orientar com segurança o criador novato. Entretanto, atendendo ao tema, pelo meu prisma de criador, dentro das limitações que uma publicação dessa natureza impõe, sem o objetivo de ser mais completo ou superior aos já existentes, mas com o objetivo apenas de colaborar e, quem sabe, transmitir fundamentos clássicos da literatura e sugerir algumas medidas aprendidas com a prática e que possam ser aproveitadas pelos criadores principiantes.

LOCAL DE CRIAÇÃO


Para iniciar uma pequena criação de canários, geralmente pode-se adaptar algum cômodo já existente na casa. De preferência, a acomodação deverá ser provida de ampla(s) janela(s) voltada(s) para o sol nascente.
As janelas devem ser protegidas por tela de malha fina para evitar a entrada de insetos e dispostas de maneira a evitar corrente de ar direta sobre as gaiolas, para prevenir o desenvolvimento de problemas respiratórios. Entretanto, é necessário que haja circulação de ar, o que muitas vezes pode ser solucionado com pequenas aberturas junto ao forro, que facilitarão a saída do ar aquecido.
A previsão do número de casais deverá ser feita de acordo com as dimensões do criadouro, sempre tendo em mente que o mesmo também precisará acomodar os futuros filhotes e que a superpopulação é uma das causas de insucesso na criação de pássaros.

GAIOLAS


As gaiolas indicadas para a criação de canários são as de arame galvanizado com grade divisória removível e suportes externos para bebedouros e comedouros. Existem no comércio diversos tipos de gaiolas e excelentes fabricantes. Antes de adquiri-las é recomendável fazer uma pesquisa cuidadosa para eleger o modelo mais conveniente, o melhor acabamento e preço, sendo interessante ouvir a opinião de criadores experientes.
Feita a escolha, deve-se adquirir as gaiolas iguais e do mesmo fabricante, com a finalidade de padronizar o equipamento e facilitar o manuseio. Embora um pouco mais caro, deve-se adquirir para cada gaiola, uma grade-piso sobressalente que facilitará a limpeza. Os fundos das gaiolas (bandejas) devem ser forrados com papel absorvente (pode-se usar folhas de jornal) e sempre que houver acúmulo de dejetos troca-se a forração (dias alternados).
Pelo menos duas vezes por semana as grades-pisos devem ser trocadas por outras limpas. As grades retiradas devem ser imersas em água por algumas horas, depois cuidadosamente esfregadas e lavadas e imersas novamente por algumas horas em solução desinfetante. É preciso dispensar cuidados especiais também com os poleiros, que devem ser mantidos limpos e, se possível trocados a cada duas semanas.

ACESSÓRIOS E UTENSILIOS


São muitos e variados os acessórios e utensílios destinados a equipar as gaiolas de criação que podem ser encontrados no comércio. Deve-se evitar sobrecarregar as gaiolas com equipamentos muitas vezes supérfluos e que acabam dificultando a manutenção da higiene.
Os melhores e mais práticos são os comedouros e bebedouros de plásticos em forma de concha ou meia-lua, usados no exterior da gaiola. Esses recipientes devem ser mantidos rigorosamente limpos, não se admitindo que os bebedouros criem limo (algas) e os comedouros acumulem pó.
Além da limpeza diária dos bebedouros com pincel, escova e esponja, pelo menos uma vez por semana os mesmos devem ser mergulhados por algumas horas em solução de cloro (Q’Boa, Cândida, etc.) e depois enxaguados em água corrente. Os comedouros destinados às sementes devem ser constantemente esvaziados para evitar o acúmulo de pó e podem ser trocados para lavagem em espaços de tempos maiores. Para ministrar alimentos úmidos como farinhadas e papas usa-se vasilhas de louça, vidro ou plástico, que devem ser substituídos diariamente e tratados com os mesmos rigores higiênicos.

Os canários precisam tomar banhos freqüentes e para isso pode-se adquirir banheiras plásticas de tamanho grande, mas que permitam a sua passagem pelas portas das gaiolas. Hoje, existem à venda no mercado, banheiras plásticas externas, muito práticas, que podem ser adaptadas à porta da gaiola. Durante a época de criação deve-se fornecer aos casais, ninhos adequados, sendo muito usados os de plástico que são duráveis e de fácil higienização. Esses ninhos devem receber forros de flanela, corda ou feltro, comumente encontrados em lojas especializadas. É uma boa prática trocar os ninhos quando os filhotes são anilhados e sempre usar ninhos limpos a cada nova ninhada.

FORMAÇÃO DE PLANTEL


Como o objetivo da canaricultura é a qualidade e não a quantidade, o criador inexperiente não deve iniciar sua criação com número muito grande de casais. Se a intenção for ter um ou dois casais, por passatempo, sem a preocupação com os resultados, qualquer casal serve desde que seja saudável.

Entretanto, se o objetivo for criar canários pensando em desenvolvimento técnico e em concursos, deve-se começar com casais de raça ou cor de acordo com a preferência, mas de qualidade reconhecida. O criador deverá então filiar-se a um clube ornitológico que lhe possibilitará a compra de anilhas para registro dos filhotes e a participação em concursos oficiais, além de assistência técnica e convívio com outros criadores.

Para conseguir bons pássaros é prudente visitar criadores de prestígio, que poderão dar valiosas orientações sobre os acasalamentos pretendidos e fornecer matrizes de qualidade técnica indiscutível Algumas regras já estabelecidas são importantes e devem ser lembradas na hora da compra:

- Desconfie dos pássaros baratos, pois geralmente são de qualidade inferior ou portadores de alguma afecção. É preferível começar com poucos casais de qualidade do que com muitos ruins;

- Compre somente canários que tenham anilha e solicite do vendedor o seu "pedigree";

- Não confie somente no seu "gosto" para avaliar um canário que deseja comprar. Certifique-se se ele está dentro dos padrões da cor ou da raça desejada. Se possível solicite os conselhos de um especialista e leia o Manual de Julgamento de Canários de Cor e Manual de Julgamento de Canários de Porte, da OBJO - Ordem Brasileira de Juízes de Ornitologia (CAIXA POSTAL 340 - CEP 13 256-970 / ITATIBA – SP), inteirando-se das características técnicas que os pássaros devem possuir.

- Não compre exemplares fracos ou enfermos por melhor que seja o seu "pedigree", pois um pássaro nessas condições não será bom reprodutor;

- Lembre-se que um pássaro saudável é esperto e alegre. Sua barriga deve ser limpa e sem manchas, seus pés e dedos sem crostas ou tumorações e sua respiração silenciosa e sem chiado.

Segundo o saudoso companheiro Carlos Gimenez “nem sempre um canário que obteve um primeiro lugar é o mais adequado para criação. Existem canários espetaculares em termos de plantel e criação, que não teriam grandes chances numa mesa de julgamento, ou por estarem com a plumagem desarrumada, ou por terem o rabo um pouco aberto ou por estarem um pouco gordos quebrando assim a harmonia visual. Seria muito fácil se você comprasse o macho campeão e a fêmea campeã e acasalando-os obtivesse o novo campeão”.

Claro que os pássaros classificados em concursos devem possuir qualidades, mas também é muito importante a sua origem e potencialidade genéticas, o que justifica o dito muito popular entre os canaricultores: “É preferível um pássaro razoável de uma excelente criação do que um pássaro excelente de uma criação razoável”.


ACASALAMENTO


Considerando-se as variações naturais de luz solar, anualmente ocorre um aumento gradual e contínuo do tempo de duração da luminosidade do dia, a partir de 21 de junho, alcançando o máximo em 21 de dezembro. Esse período, considerado foto-período positivo, influencia o ciclo reprodutivo dos canários.

Assim, entre a segunda quinzena de julho e a primeira de agosto, em nosso hemisfério, é a época recomendada para iniciar os acasalamentos. Os machos e as fêmeas deverão ser colocados nas gaiolas de cria, separados pela grade divisória, para um período de adaptação fornecendo-se às fêmeas o ninho e fios de estopa (desfiada ou em pedaços de 5x5 cm. presos nas gaiolas). Quando os pássaros começarem a trocar comida através da grade e a fêmea a confeccionar o ninho, remove-se a grade divisória, sendo então bem menor a possibilidade de brigas geradas por incompatibilidade ou despreparo do casal.

POSTURA


A postura do primeiro ovo sucede entre 6-8 dias após a primeira cópula e as posturas mais freqüentes são as de 3 e 4 ovos. A canária normalmente põe os ovos em dias seguidos, mas em alguns casos pode ocorrer intervalo de um dia entre um ovo e o seguinte. Nas primeiras horas da manhã (5 a 7h), a canária realiza a postura e depois é coberta pelo macho, o que assegura a fecundação dos ovos posteriores. Por isso, não é conveniente entrar no criadouro muito cedo.

Todas as manhãs, depois das 7 horas, os ovos recém-postos devem ser retirados e substituídos por ovos de plásticos. Os ovos recolhidos devem ser colocados em recipientes com areia, algodão ou semente esférica (evitar sementes pontiagudas como o alpiste, que podem perfurar a casca) e mantidos em temperatura ambiente. Após a postura do último ovo, que normalmente é de cor mais escura, os ovos devem voltar ao ninho, sendo este considerado o primeiro dia da incubação. A razão desse procedimento é para que os filhotes nasçam no mesmo dia e tenham a mesma oportunidade de desenvolvimento.

INCUBAÇÃO


Normalmente a incubação é de 13 dias e nesse período é conveniente que o ambiente seja tranqüilo e que as manipulações na gaiola sejam rápidas, evitando-se perturbar a canária. Durante a incubação os ovos perdem água através da casca que é porosa e permite também o intercâmbio de gases necessários para a vida do embrião.

Nesse processo de "respiração do ovo" o vapor da água expelido deve ser reposto. Daí a necessidade, nesse período, de umidade relativa do ar mais elevada. As canárias por instinto regulam a umidade molhando suas penas, sendo conveniente colocar banheiras, particularmente ao final da incubação (3-4 dias antes do final), momento em que os ovos necessitam de maior umidade e menor temperatura para que os estímulos de eclosão sejam eficazes e os filhotes possam romper facilmente a casca (70-90 % de umidade).

Se a fêmea não se banha é conveniente pulverizar os ninhos com água . Em períodos de baixa umidade pode-se também colocar esponja úmida no fundo da gaiola, embaixo do ninho. Durante a incubação pode-se fazer o diagnóstico da fertilidade dos ovos a partir do 5º ou 6º dia, examinando-os por transparência através de um foco de luz e comprovando a existência do complexo embrionário. Para isso emprega-se um “ovoscópio” que consiste numa caixa contendo uma lâmpada no interior e um estreito orifício sobre o qual se coloca o ovo.

Observando-se um ovo não fecundado, por esse método, a gema é perfeitamente distinguida, enquanto nos ovos fecundados, a partir do 3º ou 4º dia de incubação já não se distingue a gema como se ela estivesse misturada com a clara. Com a prática, a olho nu, pode-se distinguir os ovos, "claros" dos fecundados, pois estes, aos seis dias de incubação adquirem uma coloração mais intensa e fosca.

Segundo Perez e Perez (Bases Biológicas y de Aplicación Práctica de la Canaricultura) os ovos abortados constituem perigo pelas emanações que produzem sobre os ovos normais, podendo ser esta a causa de fracasso da incubação. Por essa razão, esse autor recomenda a ovoscopia em dois períodos, aos 5-6 dias para identificar os ovos infecundados e aos 10-11 dias para eliminar os embriões mortos.

NASCIMENTO


Na maioria dos casos o nascimento se produz exatamente no 13º dia de incubação. Entretanto, se o nascimento não ocorrer dentro do previsto, deve-se ter paciência e aguardar. Várias circunstâncias podem causar o atraso. Há fêmeas que não chocam e saem do ninho com freqüência. A falta de umidade também pode influir. Não abra ou jogue fora um ovo pelo menos até o 15º dia de choco e, mesmo assim, faça mais um teste de vitalidade. Para isso coloca-se os ovos em um recipiente com água morna e aguarda-se alguns minutos. Se o embrião estiver vivo, o ovo flutuará com a ponta para baixo, uma vez que a câmara de ar ocupa o pólo mais largo e balançará ligeiramente. Os ovos abortados flutuarão de lado, sem movimentos pendulares, ou afundarão.

ANILHAMENTO


Para identificar as aves, o sistema mais prático e seguro, consiste na colocação de anilhas nas pernas dos filhotes. A anilha é um anel de alumínio, fechada, inviolável, nas quais estão gravadas as siglas da Federação e da Sociedade que as emitiu, o ano do nascimento, o número de ordem e o número do criador.

Esta anilha é a identidade do pássaro, pois não sairá mais de sua perna, acompanhando-o por toda a vida. Os pássaros para serem apresentados em exposições e concursos oficiais devem portar obrigatoriamente anilhas.

As anilhas são colocadas nos canários, com poucos dias de vida, de 4 a 7, mas sempre se tendo em conta o desenvolvimento de suas patas, evitando-se que a operação seja traumatizante no caso de grande desenvolvimento ou que o pássaro a perca, se a manobra for realizada muito cedo.

O anilhamento é um processo delicado e às vezes é difícil, para o principiante. Deve ser feito sobre uma mesa forrada com papel, pois ao pegar os filhotes é comum que os mesmos defequem.

Para anilhar, toma-se o filhote com a mão esquerda, e com a direita o anel. Passa-se a anilha pelos três dedos anteriores, deslizando-a até o início da articulação. Segura-se a ponta desses dedos e desloca-se a anilha através do dedo posterior, que deve estar no mesmo sentido da perna, fazendo com que o anel passe para a perna. Em seguida liberta-se o dedo posterior, desenganchando-o da anilha. Essa operação pode ser facilitada, untando-se os pés dos filhotes com vaselina ou outro lubrificante neutro.

SEPARAÇÃO DOS FILHOTES


Após a abertura dos olhos dos filhotes não convém manusear os ninhos, para evitar que os mesmos o abandonem prematuramente, causando sérios inconvenientes. A permanência no ninho até 20 dias é considerada normal. As ninhadas bem nutridas deixam o ninho entre 15 e 18 dias. Poucos dias depois, os filhotes começam a bicar os alimentos, principalmente a farinhada, frutas e verduras. Com um mês devem descascar e quebrar as sementes, podendo então ser separados dos pais.

Uma regra prática interessante é não separar os filhotes enquanto estes não perderem as penugens da cabeça (espécie de pelos). Normalmente, por volta do 25º dia, a fêmea inicia outro ciclo e começa a se preparar para nova postura. Nesse período os pais podem depenar os filhotes em busca de material para confeccionar o novo ninho. Isso pode ser evitado, separando-se os filhotes dos pais pela grade divisória da gaiola e oferecendo ao casal material para a confecção do ninho. Os pais alimentam os filhotes pela grade, bastando para isso a colocação de poleiros baixos e próximos à grade divisória, dos dois lados.

ALIMENTAÇÃO DOS FILHOTES


Deve-se oferecer aos pais alimentação farta e variada. A farinhada com ovo cozido deve ser administrada em pequenas quantidades e várias vezes ao dia. Pode-se usar verduras como o almeirão, chicória e couve, sempre muito bem lavadas e frescas, bem como maçã e jiló.

O uso de variedades de sementes também é importante. Além do alpiste, a aveia sem casca (especialmente na primeira semana) e o níger devem ser oferecidos em comedouros separados. Alguns criadores costumam usar pão molhado no leite, com muita aceitação pelas fêmeas. O preparo é feito usando pão d'água, amanhecido, descascado e cortado em fatias, que são mergulhadas em água. As fatias intumescidas são espremidas e colocadas novamente na água, repetindo-se a operação várias vezes. Depois, mergulhadas em leite, novamente espremidas e oferecidas aos pássaros. Algumas canárias não alimentam ou alimentam mal os seus filhotes, apesar dos cuidados do criador.

Nesses casos, Delille (ABC Pratique de l'Eleveurs de Canaries Coulleurs) recomenda além da retirada do macho, oferecer água de beber fortemente açucarada por um dia e pedaços de maçã. Outro recurso que pode ser usado, principalmente para as canárias que saem pouco do ninho, é retirar o ninho com os filhotes por alguns momentos. Essa manobra faz com que a fêmea se alimente e ao voltar ao ninho, acabe alimentando os filhotes.

É sempre interessante colocar várias fêmeas para chocar ao mesmo tempo, ainda que para isso seja preciso esperar alguns dias. Caso falhem todas as manobras para estimular uma fêmea preguiçosa a tratar sua ninhada, resta ainda a possibilidade de distribuir os filhotes entre as fêmeas que estejam tratando bem. Alguns criadores costumam auxiliar as fêmeas administrando alimentos pastosos no bico dos filhotes, prática essa que é condenada por outros. Esse procedimento não deve ser usado o tempo todo, mas acreditamos que nos dois ou três primeiros dias de vida é muito importante, pois permite administrar aos filhotes vitaminas e medicamentos eficientes no tratamento, por exemplo, da colibacilose, patologia responsável pela maioria das mortes no ninho.

Além disso, auxilia o desenvolvimento inicial, mantendo os filhotes em condições de se levantarem e pedirem alimentação às mães, aumentando o índice de sobrevivência. As fórmulas das farinhadas que podem ser misturadas ao ovo cozido e passado pela peneira para fazer a “farinhada” ou “farofa”, são muito variadas.

Esse assunto é bastante polêmico e cada criador tem a sua própria receita, guardada muitas vezes com grande segredo. O objetivo final dessa farinhada é obter uma mistura com proporções adequadas de carboidratos, proteínas e gorduras, além de sais minerais e vitaminas, o que na maioria das vezes não é alcançado.

Nas revistas e livros especializados encontram-se várias sugestões para o preparo dessas misturas. Existem hoje no comércio rações balanceadas e adequadas, que estão sendo usadas por criadores com bons resultados.


Antonio Celso Ramalho


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Mensagem por MARTÍN em Qua 22 Abr 2015, 12:16

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