A Composição de Grupo de Canários em Espaços Pequenos.

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Botão em Curso A Composição de Grupo de Canários em Espaços Pequenos.

Mensagem por MARTÍN em Qui 26 Jun 2014, 14:17

A composição de grupo de canários, “Serinus canarius L., em voadeiras e gaiolas coletivas, requer muita sensibilidade por parte dos criadores que necessitam evitar o agrupamento de espécimes de temperamento incompatível ou a super população. Problemas como stress, perda de peso, apatia, debicagem, entre outros, podem surgir em detrimento disso”.

Todos sabemos que, fora da época de reprodução, por diversos motivos (falta de espaço, plantel numeroso, etc) agrupamos nossos canários exatamente como viviam seus ancestrais nas Ilhas Canárias. Mas, nossos canários ainda mantêm, além dos hábitos gregários, o temperamento territorialista e hierárquico dos seus antepassados. Nos canários, existe uma hierarquia regida por um exemplar Alfa (chamado de “A”), o qual tem prioridade suprema dentro do bando. Abaixo dele há o exemplar “B”, em seguida o “C”, e assim por diante. Há também espécimes cuja posição social não é determinada, mas a harmonia do grupo não se torna ameaçada por estes canários. O canário Alfa é o líder do bando, o dono do poleiro, o manda-chuva do pote centralizado e o primeiro a servir-se de tudo. É extremamente territorialista e mantém sua posição dominante no grupo através de bicadas, além de investidas orais de hostilidade (como se fossem berros). Poderíamos dizer que o Alfa subestima a todos os companheiros do bando, rivaliza com todos, e possui um território maior dentro da gaiola ou da voadeira.

Conforme a maioria dos criadores, numa voadeira podemos abrigar entre dez e quinze exemplares. Eu não chego a isso, pois a prática de muitos anos ajudou-me a uma média de sete canários. E o motivo é somente explicado pela observação do comportamento demonstrado durante o dia, bem como no final da tarde. Isso é comprovado e discutido com criadores de fora há muitos anos. Mas representa uma utopia, pois a média de dois canários por poleiro é quase impraticável no zénite da criação, devido ao grande número de filhotes que muitos criadores avolumam. Existe, portanto, um ideal teórico baseado na observação prática, a qual tem sido negligenciada por muitos. Conquanto, acredito que um grupo harmonioso, o qual respeite as diferenças de idades, sexo e temperamento, poderá ser composto, no máximo até dez. Mas eu não uso agrupar até o limite! Como disse, a média é sete e, portanto, pode variar em torno disso (para um pouco menos ou um pouco mais), respeitando uma composição harmoniosa dentro dos grupos. Também adapto outro procedimento: identificar a hierarquia mantida em cada grupo, pois jamais devemos juntar pássaros incompatíveis entre si. Alguns são muito territorialista e, neste caso, eu os isolo, pois não tem jeito. Ano passado eu cheguei a ver um grupo de machos jovens brigando, uma, duas vezes, até que eu finalmente identifiquei o Alfa; o número 080. Mas não bastou isolar este, porque os outros continuaram a hostilizar um “coitadinho”, por ser de uma posição hierárquica inferior a todos os outros, o qual logo que foi separado apresentou-se apático, sem comer e morreu em 2 dias. Provavelmente de depressão e/ou enfarto. Devemos tomar por princípio que um canário cuja posição no grupo é a última não serve como reprodutor.

É importante que haja bom senso no agrupamento de canários que tenham o ciclo vital obedecendo às mesmas fases, pois de nada nos adianta querer evitar a hostilidade e a debicagem unindo as fêmeas que ainda estão no seu ciclo reprodutivos ou machos que também estejam na época do acasalamento. E a época do acasalamento, para a maioria, não indica que determina o mesmo para todos, pois álbuns são precoces e outros tardios. Não dá para massificar! Posso citar o exemplo de criadores grandes, com uma produção acima de 500 filhotes, que têm suas matrizes criando o ano todo, mas ao vou revelar nomes por uma questão ética. O certo é respeitar o ciclo de cada canário! Não obstante, a maioria dos casais, no Brasil, tem preparado melhor entre Julho e Dezembro. Vale lembrar que o nosso calendário de exposições nos obriga a criar após os campeonatos.

Certamente, teremos rivalidade e debicagem num grupo misto (seja por questões de diferença de sexo, idade ou ciclo vital), principalmente antes do período reprodutivo ou no final deste. O procedimento correto, no caso de uma fêmea adiantada, é encontrar-lhe um macho que também seja precoce em seu ciclo ou isolar a mesma. Mas, no caso de uma fêmea recém separada de seu macho, no final da estação de cria, que ainda esteja a fim de cruzar (contra a nossa vontade), devemos providenciar uma pequena gaiola, posicionada em outro local, e oferecer outra intensidade de luz, com outro tipo de alimentação, etc.

Os banhos também ajudam contra o stress e favorecem a plumagem no início da muda (ou final da estação de cria). E o certo é colocar a banheira todos os dias, inclusive durante a criação. Entretanto, na época de cria prefiro borrifar. A formação de grupo de canários, em gaiolas coletivas ou voadeiras, deverá considerar sempre as afinidades de: temperamento, idade, sexo e ciclo biológico. Em caso de composição de grupos, devemos sempre considerar que dois Alfas (ou pássaros incompatíveis) não devem nunca dividir o mesmo espaço. Não é producente unir machos e fêmeas adultas em grande quantidade, pois mesmo respeitando um agrupamento exclusivamente de machos (ou só de fêmeas), a superlotação é um convite às rinhas. E, com estas, o nível de tensão, apatia e perda de peso, torna-se um inimigo crescente. Outro procedimento que adapto, por questão de manejo, é o de deixar apenas as fêmeas (filhotes ou adultas) nas voadeiras, pois os machos brigam muito. Tem-se que uni-los é durante a lavagem das gaiolas ou no período de pintar as paredes. Não mais que um ou dois meses e sob vigilância constante. Em geral, deixo os machos no ambiente de reprodução, cada qual em sua gaiola, evitando disputas desnecessárias. O ganho de peso nos machos é o único senão e, pode ser resolvido com o acondicionamento numa gaiola que os faça não apenas saltar de um a outro poleiro, mas bater as asas. Isso pode ser proporcionado com o posicionamento dos poleiros em alturas diferentes, bem como deixa-los a uma boa distância. Em último caso até podemos fazer como fazia a Karla Araújo, do extinto criadouro JÔNE (Rio de Janeiro), que dizia: “eu coloco os machos preguiçosos e mais gordinhos numa voadeira, num pequeno grupo só de machos, com um único pode de comida no centro. Isso faz com que eles fiquem em forma e aprontem logo”. Neste caso, o criador favorece uma movimentação maior, com algumas disputas e obtém em pouco tempo (menos de um mês) um resultado. Mas é uma excepção!

As fêmeas são deixadas em outro ambiente, diferente dos machos, em pequenos grupos, providas de: areia, suplemento mineral de Fosfato e Cálcio (osso de Siba e pó de ostra), farinhada seca e húmida; um pote para aveia e outro (eventual) para linhaça; um grande pote de mistura de sementes, além de muita água. Existem criadores que fornecem couve, almeirão, maçã, entre outros. Eu tenho usado apenas a maçã como um petisco atrativo para emancipação dos filhotes e garantir um reforço nutritivo. Forneço este fruta até os filhotes serem emancipados totalmente, em torno de 60 dias, fora isso eu suspendo.

Também coloco material para aniagem, como o barbante, o ano inteiro, evitando assim a debicagem. Também forneço banheira a cada dois ou três dias quando estão agrupados ou uso o borrifador, pois diminui o stress e melhora as condições da plumagem. Com isso, os canários das voadeiras ficam entretidos e compõem um grupo fácil de lidar, respeitando mais ou menos as variações que ocorreriam numa ambiente natural. Não esquecendo, obviamente, da higiene das instalações (grades, paredes, bandejas e potes), pois isso evita o aparecimento de diversas doenças, inclusive o fungo de unha (dos quais muitos criadores têm se queixado ultimamente). Como os canários sempre fizeram parte da minha vida em família, e eu os crio há mais de 25 anos, pois meu primeiro Branco veio em 1976, a experiência compartilhada durante muitos anos com os grandes criadores do passado, tais como o Dr. Tramujas, a Sônia Godoy, o Landal, a Karla (JÔNE), entre outros e com o processo empírico que o quotidiano nos ensina. E, portanto, posso afirmar que jamais devemos esquecer que uma composição harmônica de grupos de canários deve considerar as diferenças de temperamentos, sexo, idade, condições físicas e fase do ciclo vital, evitando a massificação.

Dizem que “o gado engorda sob os olhos do dono” e isso significa um acompanhamento constante, não apenas em termos de higiene, suplementação, etc..., Mas também com relação ao comportamento animal dentro dos grupos, pois os espaços das voadeiras ainda são considerados pequenos. Por exemplo, num viveiro ocorre um índice baixíssimo de hostilidade entre os canários, porque o território é bem amplo. Mas a maioria de nós usa voadeira, por questões do pouco espaço de que dispomos para criar. A mim, parece que a superlotação é o maior problema entre os companheiros que criam canários e o quadro que tenho visto é deprimente. Eu sinto um profundo desgosto em ter orientado criadores os quais acabo percebendo que o ideal é apenas o título e a venda. Mas que ainda tentam fazer o tipo e ainda continuam pedindo orientação. Tenho vontade de selecionar a eles, e não os canários! Aliás, a seleção é o objectivo principal da criação de canários. Seleção de grupos nas voadeiras e, inclusive, a melhor escolha de pessoas dentro de uma sociedade. Sim, a seleção do Homo sapiens L., como agente importante na seleção dos canários e seus grupos. Vale lembrar, que existem outros animais menos sensíveis a serem criados.

Esses criadores jamais iriam compor uma sociedade como nos moldes dos velhos tempos, conferindo a dignidade ao hobby, como fizeram o Cunico, o Vardânega, o Tramujas, o Landal e a Sónia, entre outros. Fui amigo do (saudoso) Dr. Tramujas, sócio fundados da SPCO, o qual possuía uma verve singular que dizia:

“CRIAR CANÁRIOS NÃO É COISA PRA JACU! TEM QUE TER CLASSE! E isso não importa se o sujeito é rico ou pobre. Se quiser fazer, que faça bem feito!”

Devemos criar por questões mais nobres, como o aprimoramento de uma variedade tal qual, por exemplo, fez o Kobayashi com os Brancos, o qual eu conheço faz 17 anos e sempre foi a mesma pessoa, buscando um ideal. Aliás, para quem já recebeu canários de criadores dos clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro, fica fácil ver o motivo de haver pago uma importância maior, pois lá o criador é mais selectivo, cria há muitos anos e sabe o que faz, não “amontoa”. Não transforma suas voadeiras num campo de concentração de Auschwitz. Isso é mais por uma questão de um “conceito de canário” não apenas pelo título, nem pela venda; numa espécie de “canárioterapia”.

O professor PHD, teólogo e filósofo, Leonardo Boff observa que o homem está deixando de ser Homo sapiens sapiens e tornando-se Homo demens demens, um ser de pouca razão (duas vezes), pois subjuga as outras espécies e destrói a vida no planeta. E partindo do princípio de que a razão às vezes nos falta, se os canários nos fazem bem, não há porque maltrata-los.

Canaricultura tem retorno? É óbvio que sim! Embora a maioria diga que não! Mas o bom criador só vende, para criadores, o que presta (e está bem cuidado!). Ele vende um canário bom e que não o envergonha. Talvez não o melhor, mas um bom! É o nome dele que está ali! JÁ QUE É PARA CRIAR, VAMOS CRIAR COM CLASSE! Se o criador gosta de ter canários em grande quantidade, o ideal é caprichar no manejo dos grupos ou mandar construir um viveiro (interno) bem grande. Nos viveiros internos os canários não têm tanto stress, raramente eles se debicam e, se há boa higiene, dificilmente têm fungo ou doenças relativas à falta de espaço. Inclusive, não há quebra de penas. Existe sempre uma alternativa melhor!

O bom criador não fica amontoando “coisas”, para pegar um precinho melhor depois. Mas não tem sido o que vejo por aqui! E não é preciso citar nomes, pois cada um de nós deve ter lá sua consciência. Quando o pessoal reclama dos preços altos, de criadores afamados, eu agora digo que é mais para selecionar as pessoas. Para não amontoar! Canário baratinho, direto do criador, é fria! É FRIA! Lote é lote! (Não vamos confundir!). Num aviário eu até respeito, pois tem de tudo! (Em quantidade e até em qualidade). Eu mesmo deixo meus lotes em lojas e aviários, pois não gosto de mantê-los em excesso. E tenho o retorno em semente!

Eu tenho sempre o seguinte princípio: não tomar a liberdade de ficar achando que os canários dos outros tem que ter o preço que eu quero! Todos nós temos uma ideia de qual é o preço médio (MÉDIO) de um bom (UM BOM) canário. Todo mundo sabe que esses valores oscilam, pois envolve sensibilidade para criar, critério de seleção, estudo, etc.

Todo mundo sabe que o criador cria, em primeiro lugar, para si mesmo. Mas às vezes os bons produtos sobram! Não é por isso que têm que ser vendidos ao preço da loja! Comprar muito significa amontoar, bem como ter dificuldade para guardar. E isso se aplica para tudo!

Finalizando, gostaria de lembrar que o bem estar dos nossos canários deveria ser um dos objetivos principais da Canaricultura de hoje em dias (como foi no passado) e isso inclui a composição de grupos menores, harmoniosos e consequentemente sadios, dentro das voadeiras.


Fonte: Mauro Scaramuzza Filho
Biólogo (SPCO 324)


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Botão em Curso Re: A Composição de Grupo de Canários em Espaços Pequenos.

Mensagem por AMAURI ROBERTO MENDES em Sex 27 Jun 2014, 20:33

Muito bom artigo
Parabens
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Botão em Curso Re: A Composição de Grupo de Canários em Espaços Pequenos.

Mensagem por MARTÍN em Seg 26 Jun 2017, 21:09

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